A conta chega.
#17 Geração nascida nos anos 1980 chega à “meia-idade” mais pobre, insegura e infeliz, segundo matéria da revista Exame.
Semana passada me deparei com uma matéria que chamou minha atenção. Ela versava sobre a crise da meia idade dos Millennials. Não sei se você reparou, mas fiz questão de não utilizar essa palavra “millennials” no subtítulo deste artigo.
O motivo? Bem, quando a Vic (@invistacomoumagarota) e eu estávamos pensando na introdução do nosso podcast (se você ainda não ouviu, fica aqui o convite), ventilamos a possibilidade de usar algo como “um podcast para millenials que querem conquistar sua Independência Financeira”. Mas quando repeti a frase pra mim mesma, pensei: “hum, mas será que as pessoas vão se identificar?”
Resolvi então, imediatamente, perguntar nos meus grupos de amigas se elas entenderiam a mensagem... Fiquei muito surpresa com as respostas. A imensa maioria dizia que millennial era a geração seguinte, mas não a da própria (ainda que isso não fosse verdade). Uma amiga que trabalha com marketing em uma dessas empresas unicórnio me disse mais: “millennial caiu em desuso... usamos geração Y”. Seria uma forma de negação com um termo que vem carregado de estereótipos?
Pois bem. O fato é que se você nasceu entre 1980 e o final do século passado, você é uma millennial (ou geração Y, se assim preferir). Por outro lado, entre 1980 e 1999 existe um lapso temporal significativo. Se você nasceu em 1980 e tem 42 ou 43 anos é provável que não se identifique mesmo com alguém que tenha nascido em 1998 e hoje possui 24-25. No fundo, ao nomear gerações criamos grandes rótulos. E como todo rótulo, existem inúmeras limitações.
Independente do motivo da não identificação, o fato é: pessoas que hoje estão na casa dos 40 anos são millennials. Mas mais do que isso: são também mais pobres, mais inseguras e mais infelizes que as gerações anteriores, de acordo com a reportagem. Vale ponderar que a matéria é baseada em pesquisas norte-americanas e não no cenário brasileiro, mas ainda assim, achei os resultados bem interessantes e provocativos. Me causaram algumas reflexões que quero compartilhar com vocês na edição de hoje.
Antes, alguns trechos recortados da matéria da revista Exame para contextualizar:
“nascidos entre 1981 e 1996 ganham 20% menos do que os baby boomers ganhavam na idade deles. E dados do Federal Reserve Bank de St. Louis dizem que suas poupanças têm uma média de 162.000 dólares, ante 198.000 dólares da geração X na mesma idade.” (…) “O relatório de 2021 do Centro de Pesquisa da Aposentadoria disse que a geração do milênio entre 28 e 38 anos tinha a menor riqueza média comparada à renda média em relação a qualquer geração anterior.”
Agora, alguns dados curiosos que a matéria trouxe sobre carreira e bem-estar.
“Eles estão ganhando e economizando menos, mas esta geração está repleta de sinais de que deveria agir com mais ousadia. Um crescente coro de especialistas diz que todos deveríamos buscar uma nova carreira a cada 12 anos ou mais e que, durante a “debandada em massa” de 2021, as demissões mensais nos Estados Unidos atingiram recordes históricos.” (…) “A indústria do bem-estar e autocuidado aumentou para mais de 4 trilhões de dólares por ano em todo o mundo. Mas, embora tenham mais acesso a ferramentas de fitness e tecnologia do que qualquer geração anterior, de acordo com um estudo da Technogym sobre 5.000 millennials, muitos sentiram que tinham um “déficit de bem-estar”. Apenas 52% avaliaram seu nível geral de bem-estar como “bom” ou “excelente”.
Percebe a confusão? De um lado temos infinitas possibilidades e muito mais oportunidades para assumirmos protagonismo de nossas vidas. “Desenhe a vida que se encaixa no seu trabalho e não o contrário” virou um lema. E é um lema importante, devo concordar. Mas qual foi a parte da equação que deixamos de lado? A SAÚDE FINANCEIRA.
E é por isso que eu não me canso de repetir. Ser adulto e responsável não é só ter a capacidade de pagar os próprios boletos. Sem dúvidas, esse é um feito importantíssimo, tem o seu mérito e precisamos persegui-lo. Mas ele, por si só, não é saudável. É preciso ir além. Isso mesmo que você ouviu. (Só) pagar os próprios boletos não traz a saúde financeira que você precisa. Sei que a mensagem pode soar dura, mas ela precisa ser dita.
Essa falsa ilusão de ser independente financeiramente só por estar com as contas em dia, na verdade, te coloca num jogo imediatista. É como se você estivesse usando um cilindro de oxigênio no fundo do mar sem se preocupar com a necessidade do próximo, caso queira continuar mergulhando.
Mas pode ser ainda pior. Você pode querer mudar as águas que mergulha, mas não ter fôlego (financeiro) para a transição pretendida. Ficará então, paralisada pelo medo. Faltará a tal da coragem... Aliás, tá aí um bom ponto. É preciso ter coragem para querermos mais da vida?
Costumo dizer que propósito por si só não paga boleto. Ir atrás do que se ama é bonito e sedutor. Mas ninguém vive de amor em cabana. Quando foi que aprendemos que o dinheiro não deve fazer parte de uma equação na qual conste o propósito? Esses dois elementos não podem seguir em direções opostas.
Seja com uma reserva bem calculada para uma transição de carreira, seja com a independência financeira (meu caso), o fato é que o dinheiro pode sim ser a fonte de coragem que tanto queremos. Mas se não tivermos cuidado, também pode ser a algema de ouro que nos aprisiona.
Afinal, quanto custa a sua segurança?
É preciso se conhecer e saber o que se quer para responder essa pergunta. Sempre fui (e continuo sendo) uma pessoa que valoriza ter algum tipo de previsibilidade. Mas tem horas que a vida não tá nem aí para o que eu valorizo… Ela se encarrega de mostrar que não importa o quanto eu queira controlar, sempre terão acasos do destino. E que bom! Essa fluidez é bem vida e necessária, como já disse nesse artigo aqui.
Mas se EU deixasse a vida me levar por completo (aliás, que música boa, não?) eu seria uma pessoa à beira de um ataque de nervos (burnout?) quando as coisas pegassem de verdade. Buscar a Independência Financeira sempre envolveu um porquê muito claro pra mim: ter cada vez mais poder de escolha SEM depender do dinheiro.
Utopia? Estou aqui para provar que não. Fácil? Estou aqui para afirmar que não. Necessário? Estou aqui para ponderar que provavelmente sim, ainda que se busque uma Independência Financeira parcial.
Pra isso, não existe milagre. Muito menos um atalho. Ou aprende a fazer o dinheiro trabalhar para você gradualmente ou se tornará refém do dinheiro. Acredite, a conta chega. Pode ser em forma de boletos, de vazio existencial ou de burnout. Repito: a saúde financeira faz parte de toda a equação.
Esses dias, vi uma frase da Ana Leoni, profissional que admiro bastante, que dizia mais ou menos assim: “Não adianta aprender apenas a ganhar dinheiro. Você precisa aprender a cuidar do dinheiro. Senão, trabalhará a vida inteira para ganhar dinheiro. E isso é a maior prisão que alguém pode ter”. SENSACIONAL!
Antes de finalizar quero trazer uma última reflexão: será que nossa geração é realmente mais infeliz ou será que ela “apenas” sabe identificar e nomear suas emoções melhor??
Eu, particularmente, não acredito na busca por felicidade. No entanto, acredito que compreender o que nos deixa mais felizes (ou o contrário) pode sim contribuir para uma vida melhor – em todos os sentidos. Isso com certeza passa por autoconhecimento para lidar com as próprias emoções, mas também deve passar por autorresponsabilidade das nossas próprias ações.
Aproveito para deixar a sugestão de leitura de uma outra matéria que traz a seguinte chamada “O que é a felicidade eudaimônica que explica por que muitos continuam trabalhando sem precisar”. Já a resenha, fica para uma outra edição. Enquanto isso, vou adorar saber o que acharam do artigo de hoje. Até a próxima! 😉




Sempre que leio esse tipo de matéria sou um pouco invadida pela sensação de que "não tem saída mesmo", ao mesmo tempo que "eu tenho muita sorte por ter estabilidade".
E aí levo um tempo pra sair desse lugar de angústia e voltar a colocar em movimento ideias que possam me tornar mais livre e independente financeiramente.
É food for thought, verdade...